Distraídos, venceremos

Documentário sobre o poeta curitibano Paulo Leminski.

Ervilha da Fantasia (1985)

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Ingênua

Acredito que exista, há décadas, um certo comportamento de mídia impregnado, doentio, que joga um contra o outro, quando a verdadeira forma de evoluir é
através do trabalho em grupo. Ninguém avança ou consegue trabalhar com qualidade individualmente, as pessoas estão conectadas umas com as outras.
Mas, além disso, existiria algum interesse obscuro em diminuir as mulheres, em desdenhar seus anseios e necessidades? Seria um discurso direitista? Essa merda está aí desde sempre, esse cinismo maquiavélico, pontualíssimo, mesmo que eu finja ignorar.
Foi um dos motivos de eu já ter pirado e resolvido frequentar o psiquiatra, a pressão, a tortura psicológica, invisível. A sensação de impotência que insinua que nós somos apenas filhas ou esposas, sem juízo e sem razão.
Simplesmente adquiri uma consciência maior desse menosprezo por nossas decisões, avanços, méritos, idoneidade, no último ano da faculdade, mas essa nhaca sempre atravessou a minha vida,

de uma ou outra forma.

Talvez se eu tivesse um pai vivo ou um pai influente, ou uma vida de beata, as coisas acontecessem de maneira diferente. Em tons pastéis. Sinal que incomodo, isso é ótimo, não vim ao mundo para ser gado, massa de manobra, manipulável, ingênua.
O contraponto é ter a sorte de encontrar amigos que não perpetuam esse desprezo,  essa máquina diluída de calar as mulheres.

Doroteia

Ela conservava um baú aos pés da cama de casal. Costume antigo. Era comum encontrar lençóis, cobertores, toalhas limpas, fronhas e colchas na caixa de madeira, forrada com couro, apoiada na extremidade da cama. Nós, as crianças da casa, retirávamos tudo e fingíamos que era um caixão funerário em estranhas histórias que inventávamos sobre mortos-vivos.

Às vezes, sinto que algumas épocas vivem dentro de mim. São dias inteiros com lembranças na sequência, os horários da tarde, as brincadeiras infantis, o que aconteceu depois e porquê.

Existem objetos que parecem romper os limites do tempo. Nos observam geração após geração, como o velho ferro com braseiro, o rádio a válvula ou o baú da Doroteia. Nunca foi necessário saber o que todas as pessoas guardavam dentro de seus baús. Basta saber que os baús continuam ainda hoje, por aí, despertando nostalgia de épocas passadas. A participar do cenário de histórias talvez.

Os seres humanos sentem frio de dentro para fora também, arrepios na alma. Saudade, talvez interesse pelo passado.

Enquanto brincávamos, Doroteia fazia cachos com amônia num permanente em bobs médios, pintava de loiro o cabelo. Unhas vermelhas, fumava cigarros de filtro branco, usava delineador azul. Moderna Doroteia, cheia de vida e com um olhar de desilusão.

Era casada com um marido muito quieto, quase mudo, que não conversava com crianças. A sua casa era sempre organizada com abundância de enfeites, laços de fita em cortinas com duas camadas, paninhos de crochê, frutas de resina para enfeitar a mesa, rendas sobre as janelas da cozinha.

Nunca mais soube o que aconteceu com aquelas pessoas, crianças, adultos ou bichos de estimação conhecidos. Morreram todos os poodles infernais com os quais convivi na minha infância? A lembrança traz recortes, brincadeiras esquecidas, mãe-da-rua, tardes inteiras para jogar videogame e rabiscar o tênis com canetinha.

O suicídio da “classe média”

Uma análise da classe média brasileira.

Blog da Boitempo

Por Maurilio Lima Botelho.

Quase metade dos empregos no Brasil duram menos de um ano. Os brasileiros acima de 10 anos que recebem até 2 salários perfazem mais de dois terços da “população produtiva”. Cerca de 10% dos contratos de trabalho no Brasil são temporários (até 3 meses) e sua participação têm crescido nos últimos anos. Do total de brasileiros “empregados” – o que exclui 13 milhões de desempregados e quase 25 milhões de “trabalhadores por conta própria” –, 25% não tem carteira assinada. Entre os que têm contrato, mais de 20% já estão em empresas terceirizadas. Nas empresas terceirizadas, quase nenhum emprego ultrapassa dois anos. 

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