Alienações

 Hoje resolvi tirar férias de mim mesma. Cansei. Seria bom se pudessémos virar outra pessoa de vez em quando. Pelo menos por um tempo. Desde criança eu pensava nisso, achava estranho as pessoas pensarem coisas diferentes, dentro delas mesmas, e ninguém saber o que se passava dentro do outro.

Hoje eu não quis saber de mim.

Não vou comer as mesmas coisas. Acho que de tempos em tempos é preciso experimentar algo novo. Fruta-do-conde, graviola, pato com tucupi, qualquer coisa exótica da qual não se saiba o gosto.

Nem entrar no meu e-mail, orkut, mensager e todas essas coisas que me lembram que sou eu mesma, toda essa bobagem que inventamos e às vezes esquecemos: não faz a menor falta. Nem quero saber do jornal. Só ligo tv se for em algum canal diferente, com algum programa que eu nunca tenha visto.

Vou andar por um lugar desconhecido, sem rumo, sem direção até cansar. Não quero lembrar das coisas que eu deveria fazer, férias! Não quero saber se sou boa o bastante, se vai dar certo, quais atitudes eu deveria ter diante tomado, se vou conseguir ganhar dinheiro…

Preciso viajar… e deitar na grama, aprender a escalar montanhas ou pescar.

… (em aberto)

 

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reflexão sobre sentimentos

Coisas que antes pareciam óbvias, agora são um esforço tão grande, um labirinto se abrindo. De repente percebo que não sei mais como agir, e se eu pensar por dois minutos, acabo fugindo quando mexem com meu coração para não ter que sofrer, me iludir, me preocupar.

Tudo que eu penso em dizer sai sempre pela metade. Por exemplo, se eu penso: “Fica aqui porque eu gosto de você”, eu falo: “Não está tão tarde”. Ou então se vou ligar pra dizer: “Queria sentar e conversar, passar algumas horas junto, dar risada, dividir uma pizza…”, acabo falando: “Você está ocupado?”. Péssimo.

Sinto necessidade de deixar uma brecha para pessoa desistir. Talvez seria melhor alternativa ficar muda, sem dizer uma palavra, esperar que qualquer tipo de sentimento passe, sem demonstrar nada…

 

Poesia de um amigo meu…

Fazia tempo que eu não lia as coisas que meu amigo Mário andava escrevendo, hoje fui conferir o blog dele, e não teve como resistir, furtei um poema. Desculpa Mário! Gosto muito desse jeito de decompor as palavras.

Dois Poemas. Um Poeta. (Mário Liz)  

I

Sonhos em balões de nuvens. Em aeronaves. Em nove mil estrelas. Em tantas mais cadentes. Em danças e confetes. Em fitas, serpentinas. Na luz no fim que nos destina. Na flor, jardim que nos distrai. E n’alma que destoa. À toa, atua, ator, mas nunca atado. As mãos sempre a voar. Vou ar, vou terra, volátil. Sinto minh’alma transpirar. Ela é quente. Ela é canto de mar. Eu sinto toda pressa do mundo que passa. E tudo me vem num poema devagar.

www.meiomarmeiorio.blogspot.com

Um quarto

Ultimamente uma das coisas que mais gosto de fazer é sair de casa para comer, de preferência coisas leves e acompanhadas de algumas doses etílicas. E ir ao cinema, o problema é que eu nunca acho companhia… vou sozinha mesmo, mas gostaria que alguma dia algum me levassem. Difícil encontrar pessoas que gastem dinheiro com cultura – o preço dos ingressos não colabora, ainda ouvi dizer que vão restringir a meia-entrada aqui na capital.

Nunca ganhei flores. Não ligo mais. E até prefiro ficar sozinha, porque tudo que se relaciona à vida sentimental, comigo não dá certo. Nunca. Por algum tempo, talvez. Em geral, fico sempre no quase. 

Me acalma ver a paisagem de concreto da cidade e dirigir na estrada. Quando preciso andar a pé durante o dia, observo as pessoas que eu não conheço e tento imaginar como são suas vidas.

Antes de levantar me pergunto se deveria sair da cama, 25 anos, um quarto de século. Um quarto da minha vida já passou. Parece mais. Parece que já vivi tudo que precisava. Muitas pessoas queridas ficaram perdidas pelo caminho e preciso fazer esforço para não perder outras por aí. Na verdade, estou me despedindo dessa idade, daqui a pouco chega mais um aniversário. E depois outro, e certamente, daqui alguns anos, estarei escrevendo sobre meu cotidiano aos 50 anos – meio século de vida.