Sobre o ser

Penso na árvore morta todos os dias, mas não comento, chego a suspender a respiração, levantar a ponta da língua como quem vai dizer e não digo nada. Um dia, seremos todos árvores mortas, sufocadas pelo concreto ao redor, pela fiação. As camadas da carcaça ressecada ameaçando cair; uma contradição entre imponência e morte. Os últimos farrapos do estar presente e o respectivo deixar de existir.

Talvez eu tenha medo da agressividade das ruas, das pessoas, dos relacionamentos. Por isso, gasto horas por dia a refletir sobre uma árvore retorcida e o tempo que estamos na vida. Existem coisas que não se resolvem quando são ditas, precisam ser escritas.

Adriana Salerno

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s