parque infantil depois da chuva

 

Garoa na cidade de São Paulo, para um passeio em busca de ativar a percepção, parece muito mais adequado esse frio. Existe um parque pelo caminho, que vai estar abandonado às moscas quando eu conseguir chegar lá. Abandonado às moscas ou à garoa fina repicando nas poças d’água, parece até interessante, misterioso, cinematográfico. Gostei. Contraditório, um parque infantil num dia de chuva, abandonado, vazio, com as árvores aos respingos e as estruturas enferrujando.

Quando cheguei, só não havia por lá as poças d’água imaginadas, porque o chão é de areia grossa na pracinha do Parque Amadeu Amaral. Brinquedos naquelas cores fortes, azul intenso, verde, vermelho. Um escorregador amarelo. O jardim todo organizado deixava ver as marcas da vassoura que varreu as folhas entre os canteiros, existem encostados na grade bancos largos de madeira nova, é tudo novo por aqui. Dois moleques davam voltas no parque recém-fechado, um a pé, o outro, de bicicleta acompanhava lentamente, deveriam ter quase nove anos.

Um táxi estacionou por perto. O trânsito ensurdeceu em buzinas do horário do rush, isso não vale, pensava naquele momento, o movimento da cidade nesse horário é um tumulto.

Pouco antes de ir embora, encontrei um casal de idosos puxando pela mão uma garotinha. Dois avós com a netinha, uma graça, estava de rosa claro, saia e blusa de lã e com um laço de fita de cetim na cabeça, preso com uns grampos. Tão pequena.  Não deve ter cinco anos, esse enfeite vai durar pouco nessa chuva, concluí.  E fui pra casa.

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