ele vai estar lá, me olhando das fotos na neve, no iate, no restaurante caro a luz de velas, no alto de um arranha-céu, com a champanhe gelada num sorriso contido. sorrindo, e me lembrando das minhas escolhas. ele não vai entrar aqui e ler isso, é o tipo de coisa que, sabiamente, ele sempre dizia ser perda de tempo. assim como o cinema, os shows de rock, de samba, o teatro, os livros de literatura. é um conceito, existem coisas que importam e outras que não importam, são apenas distrações. vou para outro país, falar uma língua cheia de consoantes que desconheço, mudar a vida, abrir mão de tudo. se eu gostasse dele teria partido. faltou amor. mas pra que serve isso? ultimamente…

até tinha algum, mas não a esse ponto. eu não queria namorar, estava numa fase tão boa, de paquera, de recém-formada, cheia de amigas. faltava admiração. falta ainda, apesar da beleza, do champanhe e das roupas caras. ele mesmo disse quando terminamos, “você acha que vai dar conta de tudo sozinha? vamos ver.”. insônia. no começo foi tão difícil, um idioma estranho cheio de palavras compridas. mas ele é uma pessoa péssima por dentro. ainda que não fosse poderíamos ter terminado do mesmo jeito, talvez pelo contexto. quem se importa? é um gentleman. agora não tenho mais certeza. amigas da época todas casaram-se, quase todas, faltou uma e outra. minha mãe fala dele até hoje. ficou com todas as fotos, comigo só sobrou duas, começou a fotografar quando namorávamos, um hobbie. esses dias me escreveu, me lembrando de um dos momentos mais divertidos do nosso namoro, uma crise de riso…

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