despedidas literárias, parte 2

Quase como uma mãe olhando para um filho. Então ele baixou a cabeça e saiu. Na rua sentira-se um adolescente apertando a chave no bolso. “Sou livre!” – quisera gritar às pessoas que passavam, aos carros que passavam, ao vento que passava. “Livre, livre!”

Ah, se pudesse voltar sem nenhuma palavra, sem nem uma explicação. Ela também não diria nada: era como se ele tivesse ido comprar cigarros. “Tudo bem, Francisquinha?”, perguntaria ao vê-la franzir de leve as sombrancelhas. (…)

– Vá você querida, divirta-se.

Ela ainda insistiu. Teria mesmo insistido? Os saltos dos sapatos ecoaram no silêncio como pancadas algodoadas, fugindo rápidas. Estendeu a mão até a cama e puxou a coberta. Cobriu-se. Tudo escuro, tudo quieto.

 

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