carioquês///

Então foi assim, faz tanto tempo. Eu, Mari, Bruninha e Francisco alugamos um apartamento de um dormitório em Copacabana por quatro dias, a missão era prestar vestibular. Tínhamos dezoito, dezessete, dezoito e vinte e um anos, uma época de sonhos livres. Deu para sentir o impacto da cidade (tão competitiva quanto São Paulo). Lembro do pãozinho a R$0,90. Um roubo!

Minhas amigas acabaram cursando faculdade por lá, a Mari foi parar na psicologia da Santa Úrsula e a Bru na arquitetura da Gama Filho. Do Francisco, nunca mais tive notícias, rato de biblioteca, ex-seminarista, sumiu. Houve uma negociação bem arrastada com a minha mãe: cursaria direito, mesmo sabendo que eu não tinha vocação jurídica; mas no Rio de Janeiro onde poderia ir para praia todo santo dia. Contrariada, concordou.

Para cumprir o calendário, precisava entregar uns papeis na UFRJ, primeira fase, questionário sócio-econômico, essas etapas burocráticas que já nem me lembro mais. Conheci a sala principal e o auditório da faculdade de direito, sério, frio, histórico. Na verdade fica separado do resto do câmpus da Ilha do Fundão, fica dentro da cidade.

Foi importante estar ali, assim tão jovem.  O Rio para mim é uma cidade encantada, quando vou até lá não quero voltar mais para os lugares de onde vim. Eu amo minha suja cidade de sampa e mesmo assim, fica difícil negar que a capital fluminense é mais sensual em todos os detalhes. Da asa delta riscando o céu nas praias, às piadas dos bares da Lapa, o carioca é social e descarado, finge que não entende quem fala com sotaque de São Paulo. Pura chantagem para conseguir ouvir você falar assoviando.

Choveu, não deu praia naqueles poucos dias, também não deu certo meu plano de ser uma advogada bronzeada que frequenta shows no Canecão. Troquei a segunda fase da UFRJ pelo segundo dia de provas da Fuvest, as datas coincidiram naquele distante ano 2000. Antes que alguém pergunte, não tenho ressentimento por ter deixado de cursar a UFRJ.

Eu estava indo para o lado errado. Sempre soube que gostava de escrever, a advocacia talvez não permitisse isso com a mesma frequência e variedade de assuntos. O único lugar em que prestei jornalismo, tranquila, feliz, embalada pelo sonho de exercer a profissão, foi o único lugar onde passei. Bom, só tentei universidades públicas.

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