Sinistríssimos

Acordei com a claridade, aquele sábado. Quente. Busquei água na maior caneca e resolvi esperar o sol terminar de aparecer, só que… o que fixou o olhar foram os urubus. Sinistríssimos. Balançavam aquele exagero de asas em cima de um prédio de três andares, com cara de abandonado, na rua de baixo. Que nojo! Devia ter um gato morto no telhado desse vizinho, ou suas condições de higiene não devem ser das melhores.

Passei uns quarenta minutos, segurando a caneca e olhando aquele telhado. Pombos também vivem por ali. Está abandonado, certeza, apesar da pintura recente. Já me avisaram, em Copacabana, que esses pombos de hoje em dia não são tão inocentes para viver de milho. Comem esgoto, restos de outros animais. Mas por que raios ele abre tanto as asas..?

De repente percebi, não era um complô de urubus. Era um casal. Eles estão… acasalando! Um ficava de um lado do telhado abrindo as asas e estufando o peito, girando em círculos ao redor de si. Bom, eu não arrisco dizer qual é a fêmea. E o outro… agachado com o pescoço esticado, como se estivesse caçando, dá uns pulinhos para se aproximar. Esdrúxula cena de romance no telhado dos bichos nativos de São Paulo. Poderiam ser gatos de rua, seria mais poético, pelo menos.

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