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Nem levei as coisas todas. Esqueci a manteiga. A azeitona. E não lembro. Também esqueci o iogurte de que Márcia tanto gosta. Se é que ela ainda volta a nossa morada. Dane-se! Eu tenho o que fazer e não é pouco. Não vou pensar na ingrata. Nem no que acabei de ouvir. Vítima de um atentado. Fui vítima de uma cilada. Por favor, eu só quero que deixem o meu pensamento livre, o meu juízo enclausurado. Eu não preciso do próximo. Eu não tenho alma. Lá em casa a mesa farta de papeis. Traduções que nem comecei, parágrafos incompletos, convites para palestras ao redor do mundo. Vou ou não vou? Agora sem Márcia, o vazio se enche de razão. Quando sairei do lugar? Estados Unidos, Canadá, Japão.

trecho do conto “Irmãos” de Marcelino Freire.

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