Eu não sou amiga da Lenise Pinheiros

Nada como curtir uma tarde de domingo, andar livre por aí, visitar com calma alguma exposição, quem sabe ir ao cinema. Era exatamente isso que eu estava tentando fazer, para distrair todos os pensamentos. E certamente iria encontrar alguém por aí perambulando, nem que seja na eterna Vila Madalena. A primeira opção de entretenimento cultural que cogitei foi a comentadíssima exposição da Lenise Penheiros, “Fotografias do Palco”, em cartaz no Sesc Paulista, que mostra algumas das principais montagens teatrais de São Paulo, clicadas pela lente da fotógrafa. A avenida Paulista também é uma estratégia, de lá fica fácil chegar em qualquer outro lugar depois. Começou a garoar, mas continuo otimista, o que pode acontecer em uma tarde de domingo, todo mundo andando livre por aí, sem compromisso? Resolvi ligar para algumas amigas, mas depois de quatro tentativas, entre celulares desligados e desculpas sinceras de quem preferia descansar, desisto. A exposição está ali do lado e ocupa quatro andares do prédio do Sesc, maravilha! Dou uma conferida e volto para casa. Doce ilusão… logo na entrada um segurança me avisa, era dia de estréia, e portanto, estaria aberta só para amigos e convidados. Foi inevitável sentir um certo despeito enquanto andava sentido Rua da Consolação. Mas pensando bem, ela tem todo direito, acho que se fosse fotógrafa, eu iria querer receber meus amigos durante o primeiro dia de exposição: as pessoas fotografadas, os divulgadores. Claro que sendo jornalista, sempre passa pela nossa cabeça a velha história da carteirada, que quase sempre funciona, mas a gente se sente meio que jogando sujo. Principalmente quando não estamos pautados para cobrir ou redigir nada sobre o assunto, quando é questão de lazer. Quem me encontrou no meio da Paulista foi a chuva, e não era qualquer chuvinha, pingos grossos e enxurrada nas esquinas. O celular, como sempre, mais silencioso que um paralelepípedo: nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nem o pessoal do telemarketing da operadora me ligou… pavoroso. Da avenida Paulista é fácil chegar em qualquer outro lugar, menos na minha casa. Principalmente se for debaixo de uma tempestade sub-tropical. Mesmo indo de metrô, depois que descer preciso andar uns cinco quarteirões, até a portaria do prédio. Pois é, talvez a felicidade não seja tão simples assim. Difícil não se sentir sozinha, a essa hora, depois que já anoiteceu e chovendo. Dá uma certa carência, vontade de abraçar alguém, conversar sobre a vida… e melhor do que qualquer programação cultural de domingo foi chegar em casa e comer alguma coisa. Tem dias que nada dá certo mesmo.

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